Quem Somos

Igreja Metodista Livre de Marília – Concílio Nikkei

Fundada em 1949, a Igreja Metodista Livre de Marília tem, no início, um ministério voltado para a colônia japonesa. Hoje, congrega pessoas de todas as nacionalidades, que desejam buscar a Deus e sua vontade expressa na Bíblia.

Nossa Missão

Adorar a Deus, ser e fazer discípulos maduros de Jesus Cristo através da capacitação do Espírito Santo.

Nossa Visão

Ser uma igreja comunitária, com relacionamentos significativos, que ministra e vivencia a Palavra de Deus, que evangeliza, cresce e está aberta a todos, para a glória de Deus.

Nossa Identidade

Somos uma igreja evangélica de origem wesleyana, confessamos Jesus Cristo como Salvador e Senhor. Pela fé, andamos com Ele e nos comprometemos a conhecê-lo em Sua plena graça santificadora.

Igreja Metodista Livre

Somos uma comunidade cristã que enfatiza uma vida de santidade demonstrada pelo estilo de vida em obediência a Deus e à sua Palavra (Bíblia Sagrada), para juntamente com Ele restaurar as pessoas e a sociedade por meio da proclamação das Boas Novas do Evangelho, espalhando a santidade e o amor de Deus como cura sobre os pecados, sofrimentos e necessidades de todas as pessoas – alvo do plano de Deus para salvação por meio de Cristo.

Valorizamos a adoração coletiva, a comunhão e temos grande ênfase missionária e consciência social. Por isso, procuramos compreender as necessidades mais importantes das pessoas, instituições e diversas culturas. Acreditamos em um estilo de vida disciplinado e simples. Nosso testemunho ao mundo se dá através de métodos entusiásticos e ordeiros.

Somos fruto de uma linhagem evangélica espiritualmente herdeira de homens e mulheres de profunda piedade pessoal em todas as épocas, que mostraram ser possível manter o calor do fervor espiritual em meio ao paganismo, apostasia e eventual corrupção da igreja organizada.

A história da Igreja Metodista Livre se forma desde o povo de Deus no Antigo e Novo Testamentos e inclui as influências e contribuições de diversos movimentos de renovação no cristianismo ocidental que foram utilizados por Deus para fazer o imutável evangelho cristão conhecido mais claramente.

Em suma, os Metodistas Livres identificam-se com a corrente central da história da Igreja cristã, mantendo ao mesmo tempo ênfases evangélicas e espirituais distintas.

Por que Metodista?

O nome Metodista está ligado aos ensinos teológicos, posicionamento eclesiástico e preocupação social expressos pelo Reverendo John Wesley e seus associados no século XVIII, e reafirmados através do movimento de santidade do século XIX. A palavra inicialmente referia-se a forma metódica e disciplinada como Wesley e seus seguidores cumpriam seus deveres e atividades religiosas e espirituais. Seu intuito era promover santidade e reavivamento dentro da Igreja Aglincana, mas com o passar do tempo, a independência do movimento tornou-se inevitável.

Por que Livre?

A Igreja Metodista Livre foi fruto de um despertamento espiritual e retorno aos valores bíblicos, que iniciou com homens como o pastor B.T. Roberts (1823-1893), que acabou sendo expulso injustamente da igreja Metodista Episcopal, por publicar artigos que alertavam sobre a decadência espiritual da igreja.  Em meados do século XIX, a Metodista Episcopal já era a maior denominação protestante no sul dos EUA, com cerca de um milhão de membros no país. Apesar de sua força, alguns de seus membros viam com preocupação o estado da Igreja, por perceber que ela estava entrando em processo de declínio espiritual, demonstrado por práticas condenáveis, como as que Roberts apontava em seus artigos.

Por meio da palavra “livre”, nos referimos às liberdades básicas encontradas nas Escrituras:

– Liberdade humana garantindo o direito de cada pessoa ser livre, negando o direito de quem quer que seja manter escravos

– Liberdade e simplicidade no culto;

– Assentos gratuitos na igreja, assim os pobres não seriam mantidos fora nem discriminados;

– Liberdade e abertura nos relacionamentos e lealdade de forma que a verdade possa ser sempre falada livremente (evitando votos de segredo de sociedades secretas);

– Liberdade para os leigos serem plenamente envolvidos em todos os níveis de decisão; – Liberdade do materialismo de forma a poder socorrer o pobre; Os princípios bíblicos sobre os quais se baseiam estas verdades são importantes ainda hoje.

Igreja Metodista Livre no Brasil

A Igreja Metodista Livre chegou ao Brasil por meio do missionário Massayoshi Nishizumi – japonês que nascera em Osaka em 1900 e que em 1923 mudou-se para a ilha de Awaji para recuperar-se de uma doença. Ali, foi acolhido por uma família de missionários norte-americanos – os Millikan, que tomavam conta do trabalho Metodista Livre na ilha e que passam a tratá-lo como filho, chamando-o de Daniel, nome pelo qual passou a ser conhecido.

Graças a esse convívio, converteu-se e batizou-se, sendo enviado já no ano seguinte para o Seminário em Osaka, onde termina os estudos em 1928. Posteriormente, lendo um artigo de jornal que falava sobre a emigração japonesa ao Brasil, sente-se tocado para seguir seus conterrâneos, com o propósito de evangelizá-los.

Seu plano era algo inovador para as igrejas japonesas da época, que não acreditaram em seu projeto. Mesmo assim, ele encontrou apoio da família Millikan e de outros dois irmãos. Eles eram Wada, homem de negócios e oficial da Igreja de 69 anos e Shoh Koh Mita, jovem coreano de 17 anos. Eles partem um mês após Nishizumi, chegando ao Brasil em setembro de 1928, com o objetivo de proporcionarem sustento ao missionário com seu trabalho enquanto ele se dedicava ao estudo da língua e fazia os primeiros contatos evangelísticos.

Após quase 10 anos de trabalho, Nishizumi sabia que, diante de um país tão grande e da quantia de pessoas que ainda precisavam conhecer a Cristo, seria melhor que fosse feito também um trabalho voltado aos brasileiros. Em 1938, ao viajar para os EUA, apresenta uma solicitação e em 1946, as missionárias Lucile Damon e Hellen Voller são enviadas e iniciam o trabalho.

Concílio Nikkei

Diante da diferença entre as culturas, ficou claro que os imigrantes japoneses precisavam de um trabalho específico, voltado às suas necessidades, e várias igrejas foram formadas com ênfase no povo japonês, enquanto as igrejas que trabalhavam somente com os brasileiros também continuavam crescendo. Com o tempo, essas igrejas se organizam em dois concílios, Nikkei e Brasileiro, para melhor desenvolver o trabalho.

John Wesley

John Wesley – Fundador do Metodismo

John Wesley viveu na Inglaterra do século XVIII, uma sociedade conturbada pela Revolução Industrial, onde crescia muito o número de desempregados. A Inglaterra estava cheia de mendigos itinerantes, políticos corruptos, vícios e violência generalizada. O cristianismo, em todas as suas denominações, estava definhando. Ao invés de influenciar, o cristianismo estava sendo influenciado, de maneira alarmante, pela apatia religiosa e pela degeneração moral. Dentre aqueles que não se conformavam com esse estado paralisante da religião cristã, sobressaiu-se John Wesley. Primeiro, durante o tempo de estudante na Universidade de Oxford, depois como líder no meio do povo.
Infância
John Wesley, décimo terceiro filho do ministro anglicano Samuel e de Susana Wesley, nasceu a 17 de junho de 1703, em Epworth na Inglaterra. Devido às atividades pastorais que impediam o Reverendo Samuel de dar a devida assistência ao lar, Susana assumiu a administração financeira da família e a educação dos filhos e filhas. Disciplinava com rigidez os filhos, mantendo horário para cada atividade e reservando um tempo de encontro com cada filho para conversar, estudar e orar.

Incêndio em sua casa

Ainda na infância, John Wesley foi o último a ser salvo, de forma miraculosa, em um incêndio que destruiu toda sua casa, onde estivera preso no segundo andar. A partir desse dia, Susana, sua mãe, dedicou-lhe atenção especial, pois entendeu que Deus havia poupado sua vida para algo muito especial. Aos cinco anos de idade, Susana Wesley começou a alfabetizar o John, usando o livro dos Salmos como apostila. John estudou com sua mãe até os 11 anos. Entrou, então, para uma escola pública, onde ficou como aluno interno por seis anos. Aos 17 anos, foi para a Universidade de Oxford.

Estudos

Jonh Wesley iniciou seus estudos em Oxford onde começa a se reunir com um grupo de estudantes para meditação bíblica e oração, sendo conhecidos pelos colegas universitários de “Clube Santo”, ele não inventou o nome: alunos, notando que os membros do grupo tinham horário e método para tudo que faziam, os taxaram como ‘metodistas’. Wesley preferia chamá-los simplesmente de ‘Metodistas de Oxford’.. Neste grupo Wesley e seu irmão Carlos iniciaram a visitar e evangelizar os presídios. Wesley passou então a se interessar mais pela questão social de seu país e a miséria que a Inglaterra vivia na época. Assim, gradua-se em Teologia, e pode ajudar a seu pai na direção da Igreja Anglicana. Isto até os 32 anos, quando atendeu a um apelo: precisava-se de missionários na Virgínia, Nova Inglaterra.

Missão na Virgínia

Um dos episódios que marcou o início do metodismo foi a viagem missionária de Jonh Wesley aos EUA – Virgínia para “evangelizar os índios” sendo praticamente fracassado. Em sua viagem de retorno Jonh Wesley expressa sua frustração “fui à América evangelizar os índios, mas quem me converterá?”. Durante uma tempestade na travessia do Oceano Atlântico, Wesley ficou profundamente impressionado com um grupo de morávios (grupo de cristãos pietistas que buscavam a conversão pessoal mediante o Espírito Santo) a bordo do navio que, durante uma grande tempestade, as crianças e os adultos moravios cantavam e louvavam ao nome do Senhor (Deus)e Wesley vendo a fé que tinham diante do risco da morte (o medo de morrer acompanhava Wesley por ele achar que, Deus não poderia o justifica-lo mediante seus pecados e por isso constantemente temia a morte desde sua juventude) predispôs à seguir a fé evangélica dos morávios. Retornou à Inglaterra em 1738.

Conversão

Após 2 anos, John Wesley volta desiludido com o trabalho realizado na Virgínia. Encontra-se, então, com Pedro Böhler, em Londres. Böhler era pastor moraviano (da Morávia, Alemanha) e com ele John Wesley se convence de que a fé é uma experiência total da vida humana. Procurou, então, libertar-se da religião formalista e fria para viver, na prática, os ensinos de Jesus. No dia 24 de maio de 1738, numa pequena reunião, ouvindo a leitura de um antigo comentário escrito por Martinho Lutero, pai da Reforma Protestante, sobre a carta aos Romanos, John sente seu coração se aquecer (entende-se que Wesley experimentava o “batismo no Espírito Santo”). Experimenta grande confiança em Cristo e recebe a segurança de que Deus havia perdoado seus pecados.

A Experiência do Coração Aquecido

No dia 24 de maio de 1738, na rua Aldersgate, em Londres, Wesley passou por uma experiência espiritual extraordinária, que é assim narrada em seu diário: “Cerca das nove menos um quarto, enquanto ouvia a descrição que Lutero fazia sobre a mudança que Deus opera no coração através da fé em Cristo, senti que meu coração ardia de maneira estranha. Senti que, em verdade, eu confiava somente em Cristo para a salvação e que uma certeza me foi dada de que Ele havia tirado meus pecados, em verdade meus, e que me havia salvo da lei do pecado e da morte. Comecei a orar com todo meu poder por aqueles que, de uma maneira especial, me haviam perseguido e insultado. Então testifiquei diante de todos os presentes o que, pela primeira vez, sentia em meu coração”. Nos 50 anos seguintes, Wesley pregou em média de três sermões por dia; a maior parte ao ar livre. Houve uma vez que pregou a cerca de 14.000 pessoas. Milhares saíram da miséria e imoralidade e cantaram a nova fé nas palavras dos hinos de Carlos Wesley, irmão de John. Os dois irmãos deram à religião um novo espírito de alegria e piedade.

Igreja

Como não havia muitas oportunidades na Igreja Anglicana, Wesley pregava aos operários em praças e salões – muito embora ele não gostasse de pregar fora da Igreja – E tornou-se conhecidíssima esta sua frase: “o mundo é a minha paróquia”. Influenciados pelos moravianos, John e seu irmão Carlos organizaram pequenas sociedades e classes dentro da Igreja da Inglaterra, liderados por leigos, com os objetivos de compartilhar, estudar a Bíblia, orar e pregar. Logo o trabalho de sociedades e classes seria difundido em vários países, especialmente nos EUA e na Inglaterra e estaria presente em centenas de sociedades, com milhares de integrantes. Com tanto serviço, Wesley andava por toda a parte a cavalo, conquistando o apelido de ‘O Cavaleiro de Deus’. Calcula-se que, em 50 anos, Wesley tenha percorrido 400 mil quilômetros e pregado 40 mil sermões, com uma média de 800 sermões por ano. John Wesley deixou um legado de 300 pregadores itinerantes e mil pregadores locais. A Igreja Metodista, como Igreja propriamente, organizou-se primeiro nos EUA e depois na Inglaterra (somente após a morte de Wesley no dia 2 de março de 1791).

Membros nos Estados Unidos[1]

1771 – 361 membros

1780 – 8.500 membros

1784 – 15.000 membros

1790 – 57.621 membros

1800 – 64.894 membros

1809 – 163.038 membros

Doutrina

John Wesley, por George Romney (1789)Wesley ensinava que a conversão a Jesus é comprovada pela prática (testemunho), e não pelas emoções do momento. Valorização dos pregadores leigos que participavam lado a lado com os clérigos da Missão de evangelização, assistência e capacitação de outras pessoas. Afirma que o centro da vida cristã está na relação pessoal com Jesus Cristo. É Jesus quem nos salva, nos perdoa, nos transforma e nos oferece a vida abundante de comunhão com Deus. Valoriza e recupera em sua prática a ênfase na ação e na doutrina do Espírito Santo como poder vital para a Igreja. Reconhece a necessidade de se viver o Evangelho comunitariamente. John Wesley afirmou que “tornar o Evangelho em religião solitária é, na verdade, destruí-lo”. Preocupa-se com o ser humano total. Não é só com o bem-estar espiritual, mas também com o bem-estar físico, emocional, material. Por isso devemos cuidar do nosso próximo integralmente, principalmente dos necessitados e marginalizados sociais. Podemos afirmar que o bem-estar espiritual é o resultado da paz de Cristo que alcança todas as áreas da vida do cristão. É o resultado do bem-estar físico, emocional, econômico, familiar, comunitário. Tudo está nas mãos de Deus, nEle confiamos e Ele é fiel em cuidar de nós. Sua salvação alcança-nos integralmente. Enfatiza a paixão pela evangelização. Desejamos e devemos trabalhar com paixão, perseverança e alegria para que o amor e a misericórdia de Deus alcancem homens e mulheres em todos os lugares e épocas. Aceita as doutrinas fundamentais da fé cristã, conforme enunciadas no Credo Apostólico (Cremos na Bíblia, em Deus, em Jesus Cristo, no Espírito Santo, no ser humano, no perdão dos pecados, na vitória por meio da vida disciplinada, na centralização do amor, na segurança e na perfeição cristã, na Igreja, no Reino de Deus, na vida eterna, na segunda vinda de Jesus, na graça de Deus para todos, na possibilidade da queda da graça divina, na oração intercessória, nas missões mundiais. Cremos profundamente no AMOR. Amor de Deus em nossa vida, amor dos irmãos.) , enfatizando o equilíbrio entre os atos de piedade (atos devocionais) e os atos de misericórdia (a prática de amor ao próximo). Fonte: LOCKMANN, Bispo Paulo; CONSTANTINO, Zélia. Seguir a Cristo, manual de discipulado

Legado

Além de milhares de convertidos e encaminhados para a santificação cristã, houve também obras sociais dignas de destaque, como estas: Dinheiro aos pobres (Wesley distribuía). Compêndio de medicina (Wesley escreveu e foi largamente difundido). Apoio na reforma educacional. Apoio na reforma das prisões. Apoio na abolição da escravatura! Atualmente, o total de membros da comunidade metodista no mundo está estimado em cerca de 75 milhões de pessoas. O maior grupo concentra-se nos Estados Unidos: a Igreja Metodista Unida neste país é a segunda maior denominação protestante. Hoje, além dos seguidores do Metodismo, a vida de muitos são influenciada pela missão de Wesley. Movimentos posteriores como o Movimento de Santidade e o Pentecostalismo devem muito a ele. A insistência wesleyana da busca da santificação pessoal e social contribuem significativamente para a ideologia da busca de uma vida e mundo melhor. A Igreja Católica Romana recebeu indiretamente alguns conceitos de Wesley quando o cardeal John Henry Newman uniu-se a ela, vindo da Igreja Anglicana e concretizando em reformas litúrgicas, sociais, carismática e teológica desde o concílio Vaticano II.